Bresson contra os fotógrafos metralhadores

Recebi um artigo do site Taste, que versava sobre a revista bienal de fotografia Zum, lançada pelo Instituto Moreira Salles. Uma revista voltada para a arte, a essência da fotografia, com artigos interessantíssimos, uma publicação que vai além da técnica, chega ao patamar da arte, nível em que muitos fotógrafos necessitam alcançar… Neste último exemplar destacou-se o artigo sobre o testemunho do grande mestre da fotografia mundial Henri Cartier Bresson, “O instante decisivo”. Cartier Bresson dizia com toda simplicidade que era um amador, não mais um dilerante. Mas ensinava ao mesmo tempo com sabedoria: “… não se deve metralhar, fotografando rápida e maquinalmente, não se deve acumular esboços inúteis, que atravancam a memória e prejudicam a nitidez do conjunto”. Bresson parecia prever o futuro da fotografia, profetizando contra os apertadores de botão que surgiriam com o advento da fotografia digital, quando o click deixou de valer uma quantidade significativa de dinheiro, e passou a significar apenas desgaste da câmera. Realmente com o advento da fotografia digital emergiram no mercado pessoas despreparadas tecnicamente, e sem nenhuma percepção artística. Vemos em nossa área mais importante, o Casamento. Que as noivas não se atentam a isso, mas deveriam atentar-se. Analisar um fotógrafo pela sua qualidade técnica, conhecimento (o que seria básico), mas também por seu desenvolvimento artístico. Eu sempre digo que não se caça um pato com uma metralhadora. Um pato se caça com um rifle, um tiro preciso! Realmente fotografar um casamento é um ato que deve ser pautado em uma capacidade de agrupar momentos e contar histórias de maneira completa e harmônica. Fotografar sempre o momento decisivo. E o conjunto destes momentos é o trabalho final. Um casamento é uma história cheia de rituais, momentos ricos em emoção e o fotógrafo para conseguir contar isso de maneira especial deve enxergar além. Quando fotografamos um casamento temos uma característica muito presente em nosso trabalho. Penetramos no universo do casal a fundo, somos curiosos por histórias de amor, nos interessa aprender sobre o relacionamento humano, e ao descobrir características de cada romance temos condições de dar a cada trabalho um fechamento peculiar, uma identidade. Por isso nossas imagens são alegres, trazem sentimento, emoção. Por isso vibramos com o resultado de cada casamento. Fotografamos imagem por imagem, como se montássemos um álbum. Jamais sequências desconexas. E exatamente por isso que fazemos questão de ressaltar a importância de uma bagagem cultural e artística em um fotógrafo, pois quem possui esses atributos consegue ir além. Fotógrafo que não possui técnica bem apurada e capacidade artística se transforma num apertador de botão. Em casos muito graves, meros metralhadores.

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